Levantamento mostra que maioria dos negativados já tinha dívidas anteriores e enfrenta dificuldade para recuperar o crédito, enquanto número de consumidores que limpam o nome recua

O Brasil enfrenta um cenário cada vez mais desafiador quando o assunto é inadimplência. Dados do Indicador de Reincidência de Pessoas Físicas, apurado pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) em parceria com o SPC Brasil, apontam que, em março de 2026, 85,34% das negativações foram de consumidores reincidentes, ou seja, pessoas que já haviam enfrentado restrições no CPF nos últimos 12 meses.

Dentro desse grupo, a maioria ainda não conseguiu quitar dívidas antigas: 65,85% permaneciam com pendências anteriores e acabaram sendo negativados novamente. Outros 19,49% haviam regularizado a situação recentemente, mas voltaram ao cadastro de inadimplentes. Apenas 14,66% dos negativados não tinham histórico recente de restrição.

O tempo médio entre uma dívida e outra também chama atenção. Em março, o intervalo foi de 74,1 dias, indicando que, em pouco mais de dois meses, muitos consumidores voltam a enfrentar dificuldades financeiras.

Nos últimos 12 meses, o número de devedores reincidentes cresceu 14,06%, evidenciando um ciclo de endividamento persistente. A faixa etária mais afetada segue sendo a de 30 a 39 anos, com participação significativa, além de uma distribuição equilibrada entre homens e mulheres.

Paralelamente, os dados mostram piora na recuperação de crédito. O número de consumidores que conseguiram sair dos cadastros de inadimplentes caiu 4,61% no mesmo período. A redução foi mais acentuada entre aqueles que levaram de quatro a cinco anos para quitar suas dívidas.

Entre os que conseguiram regularizar a situação, o valor médio pago foi de R$ 2.192,38, sendo que a maioria quitou débitos de até R$ 500.

O cenário reforça um alerta importante: a inadimplência deixou de ser um episódio pontual e passou a representar um ciclo contínuo para grande parte da população, exigindo mais planejamento financeiro por parte dos consumidores e maior cautela na concessão de crédito por empresas.