Pesquisa revela que 82% dos consumidores negativados possuem alguma fonte de renda; cenário reflete alta do custo de vida e desafios na organização financeira
A inadimplência no Brasil já não pode mais ser associada apenas ao desemprego. Dados recentes da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil mostram que a maior parte dos consumidores negativados atualmente possui alguma fonte de renda e segue ativa no mercado de trabalho.
Segundo o levantamento, 82% dos inadimplentes estão trabalhando. Desse total, 48% possuem carteira assinada, 23% atuam como autônomos e 11% já empreendem no próprio negócio. O valor médio das dívidas é de R$ 2.378.
Os dados revelam uma mudança importante no perfil da inadimplência no país. Mais do que a ausência de emprego, o cenário atual reflete o descompasso entre o aumento do custo de vida e o poder de compra da população.
Com despesas essenciais cada vez mais elevadas, muitos consumidores acabam recorrendo ao crédito para manter compromissos básicos do dia a dia, o que contribui para o crescimento do endividamento mesmo entre pessoas economicamente ativas.
Diante desse cenário, especialistas apontam que a recuperação financeira passa não apenas pela geração de renda, mas também pela organização financeira. Educação financeira, planejamento de gastos, renegociação de dívidas e controle do orçamento se tornam ferramentas fundamentais para evitar o agravamento da inadimplência.
O levantamento reforça ainda que estar empregado representa um passo importante para a recuperação do crédito, mas que a estabilidade financeira depende diretamente da capacidade de administrar receitas e despesas de forma sustentável.