Indicadores da CNDL e do SPC Brasil mostram aumento no número de consumidores reincidentes e queda na recuperação de crédito

A reincidência da inadimplência continua em alta no Brasil. Dados do Indicador de Reincidência de Pessoas Físicas, apurado pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo SPC Brasil, mostram que, em maio de 2026, 85,41% das negativações foram de consumidores que já haviam figurado nos cadastros de inadimplentes nos últimos 12 meses.

Do total de devedores reincidentes, 65,92% ainda não haviam quitado dívidas antigas e voltaram a ser negativados por novos débitos. Outros 19,49% chegaram a regularizar a situação e saíram do cadastro de inadimplentes, mas retornaram ao longo do último ano. Apenas 14,59% dos consumidores negativados em maio não tiveram restrições no CPF nos 12 meses anteriores.

Outro dado que chama a atenção é a rapidez com que novas dívidas surgem. Em média, os consumidores reincidentes levaram 72,6 dias entre o vencimento de uma dívida negativada e o vencimento de uma nova pendência, indicando que, em pouco mais de dois meses, muitos já acumulam novos débitos.

Na comparação entre os 12 meses encerrados em maio de 2026 e o mesmo período anterior, o número de devedores reincidentes apresentou crescimento de 15,19%, reforçando o cenário de dificuldade financeira enfrentado por grande parte da população.

Perfil dos consumidores
A faixa etária com maior participação entre os devedores reincidentes continua sendo a de 30 a 39 anos, que representa 25,46% do total. Em relação ao sexo, a distribuição permanece equilibrada, com 53,33% de mulheres e 46,67% de homens.

Recuperação de crédito registra queda
Enquanto a reincidência aumenta, o número de consumidores que conseguiram quitar suas dívidas e deixar os cadastros de inadimplentes apresentou retração.

O Indicador de Recuperação de Crédito de Pessoas Físicas registrou queda de 0,33% nos 12 meses encerrados em maio de 2026, na comparação com o período anterior. A maior redução ocorreu entre consumidores que levaram de quatro a cinco anos para quitar todas as pendências, grupo que apresentou queda de 10,50% na recuperação.

Entre aqueles que conseguiram regularizar a situação financeira, a faixa etária de 50 a 64 anos foi a mais representativa, correspondendo a 22,30% do total. A participação por sexo também se mostrou equilibrada: 51,46% mulheres e 48,54% homens.

Em média, cada consumidor que recuperou o crédito pagou R$ 2.339,86 considerando todas as dívidas em aberto. No entanto, a maioria (61,57%) quitou débitos que somavam até R$ 500.

Os indicadores reforçam a importância do planejamento financeiro e do acompanhamento das despesas para evitar o acúmulo de novas dívidas, além de evidenciarem os desafios enfrentados por milhões de brasileiros para recuperar o equilíbrio financeiro. Atualmente, a inadimplência atinge cerca de 44,69% da população adulta do país.