Estudo mostra que dívidas em atraso impactam sono, emoções, trabalho e relações sociais
A inadimplência no Brasil deixou de ser apenas um problema financeiro e passou a ser também uma questão de saúde pública e produtividade. É o que aponta uma pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas e do SPC Brasil, em parceria com a Offerwise Pesquisas.
Segundo o levantamento, 86% dos consumidores com contas em atraso há mais de três meses relatam impactos na saúde física causados pelo estresse financeiro. Entre eles, 69% afirmam viver com nível alto ou muito alto de preocupação com as dívidas.
Os efeitos aparecem principalmente no corpo: 64% dizem ter alterações no sono e 52% relatam mudanças no apetite. Além disso, 41% afirmam recorrer a vícios como cigarro, alimentação excessiva ou bebidas alcoólicas como forma de aliviar a ansiedade.
No campo emocional, o impacto é ainda mais amplo. A pesquisa indica que 95% dos inadimplentes enfrentam algum tipo de efeito psicológico negativo, como preocupação constante (78%), ansiedade (73%), angústia (65%), irritação (65%) e culpa (64%).
A rotina de trabalho também é afetada. Entre os entrevistados, 61% dizem que as dívidas prejudicam o desempenho profissional. Quase metade afirma ficar menos produtiva (42%) ou desatenta (47%), enquanto 38% relatam perda de paciência com colegas.
Nas relações pessoais, 59% relatam impacto negativo no convívio social. O isolamento é frequente: 58% perderam a vontade de sair e socializar e 76% já deixaram de comparecer a eventos por falta de dinheiro. Além disso, 48% afirmam maior irritação com pessoas próximas.
O estudo também mostra mudanças de comportamento. Cerca de 37% evitam sair com pessoas que incentivam gastos e 34% cortam despesas com vestuário. Outros 29% reduzem gastos com itens alimentares supérfluos.
Quase todos os entrevistados (92%) afirmam ter mudado a forma de lidar com o dinheiro após entrarem em inadimplência, adotando medidas como controle rígido de gastos, pesquisa de preços e redução do uso do cartão de crédito.
Mesmo assim, o acesso ao crédito continua sendo uma realidade. Segundo a pesquisa, 80% tentaram obter crédito no último ano, muitas vezes para pagar outras dívidas (54%). Ainda assim, 33% buscaram crédito para novas compras e 12% para apostas online.
Entre os principais efeitos da inadimplência, os entrevistados citam negativação (53%), juros elevados (35%) e perda de acesso a crédito (34%). Para 46%, há sensação de perda de dignidade, enquanto outros relatam estratégias para continuar consumindo mesmo negativados, como uso de nomes de terceiros ou redes informais de crédito.