Levantamento aponta crescimento de 18,28% no número de consumidores que voltaram a aparecer nos cadastros de inadimplentes nos últimos 12 meses

A reincidência da inadimplência atingiu um novo recorde em setembro de 2026. Segundo indicador apurado pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), 87,44% das negativações registradas no mês foram de consumidores que já haviam aparecido nos cadastros de inadimplentes nos últimos 12 meses.

Entre os devedores reincidentes, 67,05% ainda não haviam quitado as dívidas anteriores e foram negativados novamente. Outros 20,38% tinham conseguido sair dos cadastros nos últimos 12 meses, mas retornaram. Já 12,56% dos consumidores negativados em setembro não apresentavam restrições no CPF durante o período de um ano.

Outro dado que chama a atenção é o intervalo entre o vencimento de uma dívida e o de outras pendências. Em setembro, o tempo médio foi de 72,5 dias, ou seja, cerca de dois meses e meio entre o vencimento de uma dívida negativada e o de outra.

Nos 12 meses encerrados em setembro de 2026, o número de devedores reincidentes cresceu 18,28% em comparação com os 12 meses anteriores.

Perfil dos consumidores reincidentes

A faixa etária de 30 a 39 anos concentra a maior participação entre os devedores reincidentes, representando 25,38% do total. Na divisão por sexo, as mulheres correspondem a 53,07%, enquanto os homens representam 46,93%.

Os dados fazem parte do acompanhamento da inadimplência realizado pelo SPC Brasil, que também monitora a recuperação de crédito dos consumidores. Atualmente, cerca de 44,67% da população adulta brasileira está com o nome negativado.

Recuperação de crédito cresce 3,95%

Apesar do avanço da reincidência, o Indicador de Recuperação de Crédito de Pessoas Físicas registrou crescimento de 3,95% no número de consumidores que conseguiram sair dos cadastros de inadimplentes. A comparação considera os 12 meses encerrados em setembro de 2026 em relação ao período anterior.

O resultado foi impulsionado principalmente pelos consumidores que levaram de quatro a cinco anos para quitar todas as dívidas, grupo que apresentou crescimento de 8,94% na recuperação.

Entre os consumidores que recuperaram o crédito em setembro, a faixa etária de 50 a 64 anos teve a maior participação, com 23,51%. As mulheres representaram 51,09% dos recuperados, enquanto os homens corresponderam a 48,91%.

O valor médio pago por consumidor recuperado foi de R$ 2.481,06, considerando a soma de todas as dívidas quitadas. O levantamento também aponta que 58,88% dos consumidores pagaram até R$ 500 para regularizar suas pendências.

Os indicadores mostram dois movimentos simultâneos: o aumento de consumidores que voltam a ficar inadimplentes e o crescimento daqueles que conseguem regularizar suas dívidas. O cenário reforça a importância do planejamento financeiro e do acompanhamento das condições de pagamento para evitar o acúmulo de novas pendências.